quarta-feira, 26 de setembro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Compartilho aqui o artigo de opinião publicado no dia 18/09/2012
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03h30 no link
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1154972-escolas-surdas.shtml
Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre
as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de
educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. É autora de "Como
Educar Meu Filho?" (Publifolha), entre outros. Escreve às terças na
versão impressa de "Equilíbrio".
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1154972-escolas-surdas.shtml
Escolas surdas
Creio que quase todo mundo acompanhou o feito de Isadora Faber, uma
aluna de 13 anos que, por meio de uma rede social, colocou em evidência
suas reclamações sobre a escola que frequenta.
A iniciativa da garota gerou uma enorme repercussão social: reportagens
em todos os tipos de mídia, produção de análises... Em sua página,
Isadora conseguiu milhares de seguidores que compartilham suas
publicações, com ou sem fotos e vídeos.
O que esse fato pode nos fazer pensar? Isadora nos deu uma excelente
oportunidade para refletirmos a respeito de algumas questões. Quero
ressaltar uma delas: a falta de voz dos nossos alunos nas escolas. Em
todas, é importante assinalar: nas públicas --como no caso de Isadora-- e
nas particulares.
Você já se perguntou por que tantos pais comparecem às escolas tantas vezes?
Claro que muitos vão porque têm uma ânsia enorme, exagerada até, de
participar da vida escolar do filho; querem evitar que ele sofra
pequenas injustiças que costumam acontecer no espaço escolar e,
principalmente, querem garantir a todo custo um excelente desempenho do
filho na vida escolar.
Mas muitos vão porque percebem, com clareza ou às vezes só por intuição,
que os alunos --seus filhos-- podem ter muito o que dizer na escola,
mas dificilmente serão escutados, levados a sério. E note, caro leitor:
eu disse escutados, e não atendidos.
A esse respeito tenho um bom exemplo contado por uma mãe. Sua filha de
nove anos precisou faltar um dia porque os pais tiveram de viajar
repentinamente para resolver um problema familiar e a levaram junto com
eles. Só que, justo nesse dia, havia um trabalho para ser entregue.
No dia seguinte, a filha foi à aula, explicou o ocorrido à professora e
pediu para entregar o trabalho fora do prazo. A mãe da garota já havia
alertado a filha de que ela poderia ter de arcar com alguma consequência
pela entrega atrasada da tarefa, mas que isso seria justo.
A professora não quis aceitar o trabalho e ainda respondeu ao pedido da
menina fazendo um comentário irônico, que insinuava o caráter
"providencial" daquela viagem familiar.
Em casa, a menina contou à mãe o ocorrido e esta decidiu reagir. Foi à
escola e conversou com a professora que, prontamente, aceitou o trabalho
atrasado da aluna.
Por que é que a situação só se resolveu com a palavra da mãe, se esta
apenas repetiu o que a aluna já havia dito? Porque não faz parte da
cultura escolar ouvir aquilo que os seus alunos têm a dizer a respeito
de aspectos de sua vida de estudante.
Não foi isso o que aconteceu com Isadora? Por que muitas de suas
reclamações finalmente foram consideradas legítimas e passaram a ser
atendidas? Foi a fala da aluna na rede social que mobilizou a
administração escolar a tomar providências e atender suas demandas?
Não, caro leitor. Foi a reação dos seguidores de Isadora na rede, em sua
maioria adultos, e não estudantes como ela. As pressões efetivas foram a
deles e a da mídia --voz adulta--, que conseguiram legitimar o "Diário
de Classe" de Isadora.
Isso nos mostra que temos duas tarefas importantes a realizar. A
primeira é a tarefa de cobrar a escola para que ela ensine seus alunos a
ter participação ativa no próprio processo escolar. É um direito deles
que precisamos garantir.
Muitos alunos falam apenas bobagens, pedem futilidades? Sim, claro. Por
isso é preciso que a escola ensine aos estudantes o significado
verdadeiro de participar.
Outra tarefa é a de renunciar a falar pelo filho no ambiente da escola.
Em vez disso, precisamos encorajar o filho a falar por ele mesmo e
cobrar da escola que resolva os problemas diretamente com os alunos.
Já é um bom começo no processo de tornar os alunos protagonistas de sua vida escolar, não é?
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