quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A OBSESSÃO PELO MELHOR



Por Leila Ferreira
Estamos obcecados com "o melhor".
Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.
Bom não basta.
O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".
Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.
Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.
Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.
Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.
Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.
Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.
Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?
Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de
chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?
E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?
O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?
O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.
A casa que é pequena, mas nos acolhe.
O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.
A TV que está velha, mas nunca deu defeito.
O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".
As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar à chance de estar perto de quem amo...
O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?
Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?

Leila Ferreira é uma jornalista mineira com
mestrado em Letras e doutora em
comunicação em Londres,
que optou por viver uma vida
mais simples, em Belo Horizonte

sábado, 1 de dezembro de 2012

O QUE ESPERO DE UM AMIGO


                                                                                                      
Espero...
Que ele seja meu amigo assim como sou dele (ou talvez mais um cadinho);
Que goste de mim como sou com defeitos e qualidades;
Que me defenda dos não amigos (nem que pra isso brigue com a metade da cidade e depois me diga que valeu a pena, pois a outra metade não interessava);
Que lembre do meu aniversário;
Que não passe a mão na minha cabeça se eu estiver errada, mas fique do meu lado;
Que brigue, discuta, grite , mas nunca vire a cara pra mim;
Que me questione e por vezes discorde de mim e me force a ver o outro lado;
Que seja verdadeiro, claro, fiel e solidário;
Que me faça falta (ah se ele tivesse aqui), ou não (que bom ele tá aqui);
Que reze por mim, se alegre com minhas conquistas e me sacuda quando eu não consegui, me mostrando sempre que posso e que está comigo pra me ajudar a tentar de novo;
Que me conte segredos e ouça os meus;
Que veja através dos meus olhos como estou me sentindo, mas mesmo assim me pergunte: e ai tá bem? E dai comece uma grande conversa;
Que seja psicólogo, psicoterapeuta, médico, advogado, decorador ou padre, tudo sem formação, mas com satisfação de contribuição e sigilo;
Que me atenda de madrugada só porque sou especial;
Que não tenha vergonha de ser meu amigo;
Que pense em mim quando não estou por perto;
Que me ensine a gostar de coisas novas;
Que fale besteira, me faça rir ou sorria comigo;
Que me perdoe por muitas, algumas ou inúmeras vezes não ser como ele quer ou idealize que eu seja;
Que me visite morando em uma mansão ou em um casebre;
Que leve "maçãs" quando eu estiver doente;
Que acredite por mim quando eu não tiver condições de acreditar;
Que esqueça toda a bondade que me fez ou faz para não cobrar depois;
Enfim, espero que ele seja apenas MEU AMIGO!
Mas, sei que muitas vezes falho com meus amigos e sou muito grata a vida que me concedeu amigos verdadeiros que me acolhem, que me ajudam, que me entendem e que me levantam!
Quando olho para minha história atual e encontro nela, ainda presentes, meus amigos de infância, as crianças que cresceram na mesma rua, os amigos de sala de aula desde a educação infantil, os amigos de faculdade, de pós-graduação, os amigos de trabalho... ahhh me sinto privilegiada. Mesmo com essa lista de esperanças em um amigo... na verdade só espero ter com quem contar, com quem compartilhar, com que sofrer, com quem sorrir.
Ao longo da vida o nosso percurso muda várias vezes e nestas mudanças alguns amigos se ausentam, se distanciam... mas cada um  a seu modo e ao seu tempo tem sua relevante importância em minha vida.
Obrigada por sua amizade!