terça-feira, 25 de setembro de 2012

Compartilho aqui o artigo de opinião publicado no dia 18/09/2012 - 03h30 no link
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1154972-escolas-surdas.shtml

Escolas surdas

Creio que quase todo mundo acompanhou o feito de Isadora Faber, uma aluna de 13 anos que, por meio de uma rede social, colocou em evidência suas reclamações sobre a escola que frequenta.
A iniciativa da garota gerou uma enorme repercussão social: reportagens em todos os tipos de mídia, produção de análises... Em sua página, Isadora conseguiu milhares de seguidores que compartilham suas publicações, com ou sem fotos e vídeos.
O que esse fato pode nos fazer pensar? Isadora nos deu uma excelente oportunidade para refletirmos a respeito de algumas questões. Quero ressaltar uma delas: a falta de voz dos nossos alunos nas escolas. Em todas, é importante assinalar: nas públicas --como no caso de Isadora-- e nas particulares.
Você já se perguntou por que tantos pais comparecem às escolas tantas vezes?
Claro que muitos vão porque têm uma ânsia enorme, exagerada até, de participar da vida escolar do filho; querem evitar que ele sofra pequenas injustiças que costumam acontecer no espaço escolar e, principalmente, querem garantir a todo custo um excelente desempenho do filho na vida escolar.
Mas muitos vão porque percebem, com clareza ou às vezes só por intuição, que os alunos --seus filhos-- podem ter muito o que dizer na escola, mas dificilmente serão escutados, levados a sério. E note, caro leitor: eu disse escutados, e não atendidos.
A esse respeito tenho um bom exemplo contado por uma mãe. Sua filha de nove anos precisou faltar um dia porque os pais tiveram de viajar repentinamente para resolver um problema familiar e a levaram junto com eles. Só que, justo nesse dia, havia um trabalho para ser entregue.
No dia seguinte, a filha foi à aula, explicou o ocorrido à professora e pediu para entregar o trabalho fora do prazo. A mãe da garota já havia alertado a filha de que ela poderia ter de arcar com alguma consequência pela entrega atrasada da tarefa, mas que isso seria justo.
A professora não quis aceitar o trabalho e ainda respondeu ao pedido da menina fazendo um comentário irônico, que insinuava o caráter "providencial" daquela viagem familiar.
Em casa, a menina contou à mãe o ocorrido e esta decidiu reagir. Foi à escola e conversou com a professora que, prontamente, aceitou o trabalho atrasado da aluna.
Por que é que a situação só se resolveu com a palavra da mãe, se esta apenas repetiu o que a aluna já havia dito? Porque não faz parte da cultura escolar ouvir aquilo que os seus alunos têm a dizer a respeito de aspectos de sua vida de estudante.
Não foi isso o que aconteceu com Isadora? Por que muitas de suas reclamações finalmente foram consideradas legítimas e passaram a ser atendidas? Foi a fala da aluna na rede social que mobilizou a administração escolar a tomar providências e atender suas demandas?
Não, caro leitor. Foi a reação dos seguidores de Isadora na rede, em sua maioria adultos, e não estudantes como ela. As pressões efetivas foram a deles e a da mídia --voz adulta--, que conseguiram legitimar o "Diário de Classe" de Isadora.
Isso nos mostra que temos duas tarefas importantes a realizar. A primeira é a tarefa de cobrar a escola para que ela ensine seus alunos a ter participação ativa no próprio processo escolar. É um direito deles que precisamos garantir.
Muitos alunos falam apenas bobagens, pedem futilidades? Sim, claro. Por isso é preciso que a escola ensine aos estudantes o significado verdadeiro de participar.
Outra tarefa é a de renunciar a falar pelo filho no ambiente da escola. Em vez disso, precisamos encorajar o filho a falar por ele mesmo e cobrar da escola que resolva os problemas diretamente com os alunos.
Já é um bom começo no processo de tornar os alunos protagonistas de sua vida escolar, não é?
Rosely Sayão
Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. É autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha), entre outros. Escreve às terças na versão impressa de "Equilíbrio".

sexta-feira, 16 de março de 2012

REFLETINDO SOBRE A PRÁTICA PEDAGÓGICA


No cenário educacional, atual, os educadores convivem com muitos dilemas. Sendo que deles são cobrados melhores índices, maior rendimento, melhor aproveitamento dos alunos, bem como, a conclusão do Ensino Médio com qualificação para ingressar em um curso superior e ainda, atender as necessidades do mercado de trabalho. Completando o paradoxo, existe uma crescente demanda de responsabilidade por sua formação contínua, uma vez que “(...) o pensamento pedagógico atual acredita na educação como um processo contínuo e permanente.” (SISTO, 1996).
Imbuído a esse processo, está a necessidade de acompanhar as mudanças que ocorrem no modo de relacionar-se com o mundo. Como afirma L. Hebdo (1997). “As crianças nascem em uma cultura em que se clica, e o dever dos professores é inserir–se no universo de seus alunos.”
Como não concordar? Uma vez que:
“(...) essas demandas crescentes de aprendizagem produzem-se no contexto de uma suposta sociedade do conhecimento, que não apenas exige que mais pessoas aprendam cada vez mais coisas, mas que as aprendam de outra maneira, no âmbito de uma nova cultura da aprendizagem, de uma nova forma de conceber e gerir o conhecimento, seja da perspectiva cognitiva ou social.” (POZO, 2008).
Assim sendo, não é possível pensar a educação formal, que se recebe nos bancos escolares, sem avaliar a evolução dos recursos e dos modos de acesso, no sentido de combater o fracasso escolar e a exclusão social. Pois, o acesso às múltiplas formas de informação contribui para ascensão social, econômica e cultural.
O grande paradigma é concentrar-se na gestão de situações de aprendizagem diante de capacidades metacognitivas, como aponta POZO:
·         aquisição da informação;
·         interpretação da informação;
·         análise da informação;
·         compreensão da informação;
·         comunicação da informação.
Nesse sentido, cabe refletir sobre como ensinar e como aprender para avançar na formação de seres pensantes e não meros receptores de informações.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

SISTO, Firmino Fernandes [et al]. Atuação Psicopedagógica e aprendizagem escolar. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.

POZO, Juan Ignacio. A sociedade da aprendizagem e o desafio de converter informação em conhecimento. Publicado em: http://www.diretoriabarretos.pro.br/patio_online2.htm  [20/8/2008 08:42:36].
           

quinta-feira, 15 de março de 2012

A educação faz com que as pessoas sejam fáceis de guiar, mas difíceis de arrastar; fáceis de governar, mas impossíveis de escravizar.
(Henry Peter)