quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Professores, futuros professores e pais... Um espaço para reflexão...

A batalha dos métodos

Numa rua de subúrbio, uma menina, sentada à porta de casa, olhava um livro ilustrado. Perto dali havia uma escola normal e passavam muitas jovens que se preparavam para ser professoras.
Uma delas parou ao ver a criança com o livro na mão e disse:
__ Que gracinha!
__ Me conta a história?

__ Não, primeiro você tem que aprender a ler. Quer que eu te ensine? Olhando o título, a jovem apontou:
__ A, o, e, u, i, o. Não, assim, não. Melhor assim: a, e, i, o, u.
A criança olhou desconsolada e pediu novamente para ouvir a história. A futura professora não desistiu.
__ Veja, é fácil: a com i faz ai! Como você fala quando senti uma dor. E e com u faz eu! E apontava para o próprio peito, dizendo: eu, ai! Eu, ai!
Um pouco assustada, a criança desviou o olhar e abriu o livro. A normalista aborreceu-se e foi para a aula de Métodos e Técnicas de Alfabetização contar para a professora que tinha encontrado uma pobre criança que era um caso típico de falta de prontidão para a leitura.
Logo depois passou outra jovem e perguntou:
__ O que é que você está lendo?
__ Não sei ler. Me conta a história?
__ Vou ensinar você a ler. Como é seu nome?
__ Betinha.
__ Não, isso é seu apelido. Como é seu nome?
A menina pensou um pouco e olhou desolada para o livro:
__ Me conta a história.
__Só se você me disser seu nome.
__Elisabete Maria de Oliveira.
__ Ah, bom. Então vamos ver.
Puxando um caderninho da bolsa, a moça escreveu Elisabete e deu à criança.
__Aqui está o seu nome: ELISABETE. Vamos ler apontando com o dedinho.
Apontando as nove letras, a menina leu: E-li-as-be-te- Ma-ri-a- de- O-li-vei-ra.
A jovem ficou embatucada e anotou a resposta para ir perguntar como interpretá-la à professora de psicogênese da língua escrita.
__ Tchau, querida! Outro dia eu te ensino, o.k?
Não demorou muito, passou outra jovem simpática e a criança lhe pedi:
__ Me conta a história!
__ Que gracinha! Eu conto se você me responder umas perguntas.
A criança olhou ressabiada.
__ Você já sabe as letras do alfabeto?
__ Não.
Você conhece as famílias silábicas?
__Quê?
__Deixa pra lá. Me diga uma palavra que começa com pa. Por exemplo, pato, papai, palácio.
__Rei, princesa.
__ Quê?
__ Palácio, rei, princesa.
A futura professora suspirou. Saiu dali muito triste, achando que a menina era muito bonitinha, mas não tinha discriminação auditiva.
Daí a meia hora, passou um professor de gramática, cansado e meio calvo, andando devagar. A menina resolveu tentar a sorte.
__ Me conta a história!
__ Não é assim. Fale de novo: conta-me a história.
__ Hum?
__ Conta-me a história, eu disse.
__ Mas eu não sei ler.
__ Não, não é você que deve contá-la. Aliás, minha pobre criança, você não sabe nem falar.
A menina fechou o livro com força e fez uma careta de nojo para o gramático. Ele respondeu:
__ Atrevida! Analfabeta! Iletrada! Anômala! Anojosa! Anacoluto! e retirou-se, muito satisfeito de possuir um vasto vocabulário para qualificar a pirralha.
Passou um tempinho, veio pela calçada uma professora de sociolingüística, com seu gravador a tiracolo, e a menina resolveu tentar a sorte:
__ Tia, me conta a história!
__ Fala de novo, meu bem, disse a professora, e ligou o gravador. Estava fazendo uma pesquisa sobre dialetos das classes populares do subúrbio do Rio, de modo que não podia perder a chance de gravar a fala da criança.
__ O que é isso?
__ um gravador. Vou gravar o que você falar. Vamos conversar. Quantos anos você tem?
__ Me conta a história.
__ Depois eu conto. Converse um pouquinho comigo.
__ Quero a história.
__ Depois eu conto. Converse um pouquinho comigo.
__ Quero a história.
__ Você me conta uma história. Eu gravo e depois passo tudo para o papel, pego sua história e aí...
Mas a professora não pode concluir: a menina já estava longe, pulando num pé só, fora do alcance da pesquisadora. Na esquina, encontrou o vendedor de cocadas que fazia ponto perto da escola normal. Pouco movimento, tarde parada. O vendedor olhou pra menina e perguntou:
__ Já leu esse livro?
__ Não, lê pra mim? disse a menina, sem muita esperança de ser atendida.
__ Hum, deixa eu ver.
O rapaz abriu o livro. Foi lendo devagar, como possível, pois tinha aprendido a ler mal e mal, há muito tempo atrás.
__ Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho. Um dia, a mãe dela cha-cha-mou-a e disse...
A menina deu um suspiro de prazer e sentou no muro da escola para ouvir a história. Lá dentro, alguém dava uma aula sobre métodos de alfabetização.



CARVALHO, Marlene. Alfabetizar e letrar: um diálogo entre a teoria e a prática. Petrópoles, RJ: Vozes, 2005.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O que precisamos saber sobre as alterações das regras na escrita?

Vocês já sabem o que muda com o novo acordo entre os países cuja língua é a PORTUGUESA?

Então confira:
  1. Acentuação

a) palavras como lingüiça, cinqüenta, seqüestro passam a ser grafadas linguiça, cinquenta, sequestro;

b) palavras como vôo, enjôo, abençôo passam a ser grafadas voo, enjoo, abençoo;

c) palavras como lêem, dêem, crêem, vêem passam a ser grafadas leem, deem, creem, veem;

d) palavras como idéia, assembléia, heróico, paranóico passam a ser grafadas ideia, assembleia, heroico, paranoico;

e) palavras como feiúra, baiúca passam a ser grafadas feiura, baiuca;

f) averigúe, apazigúe e argúem passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem;

g) deixa de se distinguir pelo acento gráfico:– para (á), flexão do verbo parar, e para, preposição; – pela(s) (é), substantivo e flexão do verbo pelar, e pela(s), combinação da preposição per e o artigo a(s);– polo(s) (ó), substantivo, e polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); – pelo (é), flexão de pelar, pelo(s) (ê), substantivo, e pelo(s) combinação da preposição per e o artigo o(s);– pera (ê), substantivo (fruta), pera (é), substantivo arcaico e pera preposição arcaica.

2. O hífen

a) passaremos a grafar de forma aglutinada certos compostos nos quais se perdeu a noção de composição, como: mandachuva e paraquedas, por exemplo.

b) só empregaremos o hífen quando o segundo elemento começar por h. Ex.: pré-história, super-homem, pan-helenismo, semi-hospitalar. Exceção: manteve-se a regra atual que descarta o hífen nas palavras formadas com os prefixos des- e in- e nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial (desumano, inábil, inumano), e quando o prefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento, ex.: contra-almirante, supra-auricular, auto-observação, micro-onda, infra-axilar. Exceção: manteve-se a regra atual em relação ao prefixo co-, que em geral se aglutina com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o (coordenação, cooperação, coobrigação). Com isso, ficou abolido o uso do hífen:
quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas.
Ex.: antirreligioso, antissemita, contrarregra, infrassom. Exceção: manteve-se o hífen quando os prefixos terminam com r, ou seja, hiper-, inter- e super- Ex.: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista. Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente Ex.: extraescolar, aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem, antiaéreo, agroindustrial, hidroelétrica Observação: permanecem inalteradas as demais regras do uso do hífen.

3. Uso obrigatório de letras maiúsculas

  • nomes próprios de pessoas (João, Maria, Dom Quixote);
  • lugares (Curitiba, Rio de Janeiro);
  • instituições (Instituto Nacional da Seguridade Social, Ministério da Educação);
  • seres mitológicos (Netuno, Zeus);
  • nomes de festas (Natal, Páscoa, Ramadão);
  • designação dos pontos cardeais quando se referem a grandes regiões (Nordeste, Oriente);
  • siglas (FAO, ONU);
  • iniciais de abreviaturas (Sr., Gen. V. Exª) e
  • títulos de periódicos (Folha de S. Paulo, Gazeta do Povo).

Ficou facultativo usar a letra maiúscula:

  • nos nomes que designam os domínios do saber (matemática ou Matemática);
  • nos títulos (Cardeal/cardeal Seabra, Doutor/doutor Fernandes, Santa/santa Bárbara);
  • nas categorizações de logradouros públicos (Rua/rua da Liberdade), de templos (Igreja/igreja do Bonfim) e edifícios (Edifício/edifício Cruzeiro).

Observação: Fiquem tranquilos... pois teremos um tempo para nos adaptarmos as novas regras!!!

20 Dicas de Sucesso

Luiz Marins Filho

  • Elogie três pessoas por dia.
  • Tenha um aperto de mão firme.
  • Olhe as pessoas nos olhos.
  • Gaste menos do que ganha.
  • Saiba perdoar a si e aos outros.
  • Trate os outros como gostaria de ser tratado.
  • Faça novos amigos.
  • Saiba guardar segredos.
  • Não adie uma alegria.
  • Surpreenda aqueles que você ama com presentes inesperados.
  • Sorria.
  • Aceite sempre uma mão estendida.
  • Pague suas contas em dia.
  • Não reze para pedir coisas; reze para agradecer, pedir sabedoria e coragem.
  • Dê às pessoas uma segunda chance.
  • Não tome uma decisão quando estiver cansado ou nervoso.
  • Respeite todas as coisas vivas, especialmente as indefesas.
  • Doe o melhor de si no seu trabalho.
  • Seja humilde, principalmente nas vitórias.
  • Jamais prive uma pessoa de esperança. Pode ser que ela só tenha isso.

sábado, 13 de setembro de 2008

SUGESTÃO DE ATIVIDADE... BEM LEGAL!!

Olá!!! Encontrei uma atividade bem interessante, fora do convencional e que pode compor o planejamento de todas as turminhas do Ensino Infantil e Fundamental I.

Confira.

Peça aos seus alunos que guardem na memória, para repetir na classe, uma frase que ouviram antes de chegar à escola. As frases deverão ser escritas no quadro-negro e comentadas por todos: quem disse, onde disse, por que disse. Em seguida, serão analisados: número de palavras frases mais longas e mais curtas), número de espaços entre as palavras, pontuação, existência de palavras iguais (provavelmente haverá artigos, preposições, conjunções que se repetem).

Esta está no livro Guia Prático do Alfabetizador, escrito por Marlene Carvalho e editado pela Ática, na p. 29. E, você professor(a) poderá usar sua criatividade e ampliar ainda mais com outras reflexões sobre a língua oral e escrita.

Uma atividade rica, pois oferece várias possibilidades e ao mesmo tempo é muito fácil executá-la. Espero que possa ser útil aos professores e também aos pais que acessam este blog, pois é importante que a família esteja auxiliando no desenvolvimento formal da criança e essa atividade pode se transformar em uma brincadeira em casa em um dia de chuva por exemplo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sugestões de atividades com o NOME PRÓPRIO


Considero muito interessante iniciar a alfabetização sistemática com o NOME DA CRIANÇA, pois é uma atividade carregada de afetividade e propicia reflexões sobre a língua escrita. Além de ser muito estimulante pra cada criança descobrir seu nome e o de pessoas queridas, como: de pessoas da família, da professora, dos colegas de classe.

PROBLEMATIZAÇÃO:
Número de sílabas, número de letras, a seqüência em que as letras aparecem, as letras que compõem seu nome, nomes que iniciam com a primeira letra do seu nome, palavras que são escritas com as letras do seu nome...

Podemos propor várias atividades, veja:
1- Escrita espontânea do próprio nome;

2- Bingo de nomes dos coleguinhas da sala;

3- Bingo de letras;

4- Quebra-cabeça do nome de cada aluno;

5- Jogo com dado pra fixar a primeira letra do nome;

6- Brincar de adivinhar de quem é o nome – Ex.: escreve na lousa

NAL RO DO, pronúncia dessa forma com as sílabas invertidas e estimula a turma a descobrir de quem é o nome. Resposta: RONALDO;

7- Escrever palavras que rimam com os nomes – Ex.: Damião – mamão;

8- Pescaria com nomes dos alunos;

9- Caça-palavras com os nomes das crianças;

10- Descobrir a ou as letras que estão faltando nos nomes – Ex.: CL____RIC____;

11- Escrever em uma folha de papel sulfite o nome da criança utilizando uma vela ou giz de cera branco e depois pedir para que a criança pinte com tinta guache colorida, daí o nome ficará em evidência. E, você professor (a) poderá usar sua criatividade e pedir pra que leiam o nome que apareceu e entregar ao dono daquele nome e muitas outras possibilidades;

12- Pedir aos alunos que entrevistem seus pais para descobrirem a história do nome de cada um e socializar na sala de aula;

13- Fazer um gráfico com os nomes dos alunos – Ex.: gráfico de colunas para evidenciar quem tem nome começado com A, com B, com C... E, depois problematizar. (O ideal é confeccionar junto com a turminha, assim eles decidem o título, cada um escreve seu nome em um cartãozinho e cola no lugar indicado do gráfico);

14- Ler textos poéticos como o poema de Toquinho: Tudo tem nome;

15- Ler textos informativos sobre a origem e o significado dos nomes dos alunos;

16- Pesquisar pessoas famosas que tenham os mesmos nomes que os alunos - Ex: Escritores de livros infantis, Músicos, Atores, dentre outros;

17- Confeccionar crachás com o nome de um lado e o nome completo do outro;

18- Fazer o auto-retrato e cada pequeno artista assina sua obra.
Ótima aula!!!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Amiguinhos imaginários!!!!

Ei... Você também já ficou assustado sem saber o que fazer, quando viu o seu filho(a) ou aluno(a) conversando com um amiguinho imaginário?

Então confira essas dicas...

Ter "amigos imaginários" é algo perfeitamente comum entre crianças de 3 a 6 anos de idade.
Não se deve supervalorizar o fato da criança ter um amiguinho imaginário. Mas, se ele persistir até a pré-adolescência então, nesse caso, é interessante consultar um profissional de saúde.

Essa é uma forma que a criança encontra para demonstrar suas capacidades, para explorar e expandir a sua imaginação e criatividade. Mas, muitas vezes esses amigos imaginários são utilizados para lidar com sentimentos como a raiva, a inveja...

As crianças podem usar estes amigos para praticarem o que é ser e ter um amigo.

Se os pais e professores ouvirem as conversas das crianças com os amigos imaginários, poderão ser capazes de descobrir alguns dos medos das crianças e alguns conflitos. Pois, o amigo imaginário também é um confidente, a criança fala com ele dos seus medos, dos seus sentimentos de perda, das suas frustrações... E, isso deve ser bem valorizado pelos pais e educadores porque pode ajudar a proteger a criança.

Os pais podem perguntar às crianças se realmente acreditam que estes amigos existem, como eles são, de onde vieram, incluí-los na rotina da família... E, não se preocupem, pois se a criança defende veementemente a existência do amigo imaginário... no fundo ela sabe que é somente um faz de conta e esse jogo pode aproximar ainda mais os pais dos filhos.

Os professores devem até conscientizar os pais que não vale a pena lutar contra isto, pois não ajuda e pode fazer a criança se sentir diferente e querer se isolar (o que não é bom).

As crianças vão naturalmente se livrar do amiguinho imaginário aos 7 ou 8 anos.

Agora se você encontrar uma criança brincando ou brigando animadamente com "alguém" sentado à sua frente, já sabe o que fazer... Relaxe!!! No mundo do faz de conta a criança testa os seus limites e cresce de modo muito saudável.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Uma dica muito legal para sua aula de Português...

Organize seus alunos individualmente, cada um com um dicionário para consulta. Você irá usar aproximadamente 50 minutos para essa aula.

A atividade é ... DITADO UTILIZANDO O DICIONÁRIO.

  • Converse com seus alunos e diga-lhes que vai ler um texto sobre um assunto de sua escolha (pode ser sobre um tema que estejam trabalhando em outra disciplina) e que depois você fará um ditado... Mas esse ditado será diferente, pois eles poderão interromper quando tiverem dúvidas quanto a escrita das palavras e para isso utilizarão o dicionário.
  • Leia, então, o texto que você escolheu. Em seguida, converse sobre o que eles compreenderam.
  • Dê início ao ditado, lendo pausadamente as palavras para que sua turminha consiga escrever... quando alguém tiver dúvida... para-se o ditado, consulta o dicionário e só depois que se retoma a atividade.
  • Com esse exercício, você poderá refletir, discutir coletivamente sobre as dúvidas que seus alunos apresentarem sobre a escrita convencional.
  • Ao final, escreva o texto no quadro-negro ou entregue a cópia do texto impresso para que cada criança faça a sua correção.

Uma ótima aula!!!