segunda-feira, 25 de agosto de 2008

As tendências pedagógicas em uma visão crítica





Clarice Borges da Silva Oliveira
Artigo publicado na Revista ABCEducátio
ano 8. n°68. agosto/2007. p. 28 e 29


As tendências pedagógicas originam-se, basicamente, em movimentos sociais, filosóficos e antropológicos em determinados períodos da história humana, influenciando as práticas pedagógicas associadas às expectativas da sociedade. Seguindo essa linha de pensamento, torna-se imprescindível a todo educador, em qualquer área de atuação, o conhecimento de tais tendências, a fim de influir conscientemente na sociedade, transformando fazeres e saberes, problematizando-os e inserindo-os no cotidiano e em sua própria expressão de educador. Através do estudo e conhecimento da teoria que embasa a sua prática é que o educador, especialmente o professor, poderá realizar a sua transformação em direção à conscientização e à conseqüente liberação dos condicionantes sociais, tornando o processo ensino-aprendizagem significativo e contextualizado para o educador e educando.

A relevância do conhecimento das tendências pedagógicas perpassa pela instrumentalização e caminho consciente para a realização da ação educativa, além de facilitar a identificação dos possíveis entraves na prática em curso. Porém, opondo-se esta afirmativa, facilmente encontram-se professores que baseiam sua prática pedagógica em noções do senso comum, incorporadas ao longo da vida estudantil pela transmissão informal dos mais experientes na profissão, tornando assim a prática pedagógica científica em prática vazia e que não contribui para a formação de cidadãos conscientes e ativos na sociedade. Nesse contexto, convém lembrar que, mesmo sem saber, em toda ação educativa e em qualquer prática pedagógica existe uma teoria que a fundamenta.
Segundo Demerval Saviane, os professores vivenciaram uma confusão que indicou o aparecimento da tendência tecnicista e das teorias crítico-reprodutivas, pois possuíam no pensamento o movimento e os princípios da escola nova, mas a realidade não oferecia a eles condições para efetivá-la, pois era predominantemente tradicional. Assim, os professores viam-se na pedagogia que prega a racionalidade, a produtividade do sistema e do seu próprio trabalho dando ênfase aos meios (tecnicismo). As tendências pedagógicas foram então classificadas em liberais e progressistas, correspondendo ao primeiro grupo: pedagogia tradicional, renovada progressista, renovada não-diretiva (escola nova) e tecnicista. Ao segundo grupo: pedagogia libertadora, libertária e crítico social dos conteúdos.
Ainda que muitos educadores não percebam, a educação brasileira foi e continua sendo marcada pelas tendências liberais, explicitando em alguns momentos as práticas mais conservadoras e em outros, práticas renovadas. Pois a confusão que aconteceu com os professores, segundo Saviane, fazendo surgir a tendência tecnicista e as teorias crítico-reprodutivas, ocorre no cenário atual da educação brasileira, onde muitos estudantes em educação concluem os cursos universitários convencidos que suas práticas como profissionais devem ser consubstanciadas na teoria progressista, mas ao serem inseridos no interior das escolas, nas salas de aula percebem a incompatibilidade na utilização de fato de tal fundamentação, reproduzindo assim uma educação que não se transforma e tampouco provoca a transformação da sociedade. Ao lado dos profissionais recém formados, convém ainda citar os profissionais da educação que atuam sem a devida formação e que já estruturaram seus saberes sobre sua prática, mas para atender as exigências da lei 9.394/96 – artigo 61 – “A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação...” – ingressam nos cursos de formação docente em nível superior e que o fazem apenas para cumprir um protocolo, mas não alteram, não mudam a sua atuação junto aos educandos.
A pretensão aqui é de suscitar questionamentos e não de oferecer respostas, em um momento histórico em que a sociedade exige a qualidade da educação oferecida pelas escolas brasileiras, então, não será também necessário que os professores acordem para o profundo poder de suas ações, bem como para a falta de conhecimento sistematizado da que há imbuído em seu fazer diário? Até quando iremos encontrar nos Projetos Políticos Pedagógicos uma proposta para a formação de cidadãos críticos, cônscios de seus papéis na sociedade e no interior das salas de aula uma prática totalmente antagônica, onde professores utilizam-se das longas cópias, ou atividades meramente reprodutivas como instrumento para silenciar seus alunos e deixa-los imóveis em suas carteiras?



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



BRASÍLIA. Lei de Diretrizes e bases da educação. Lein° 9.394, 23 de dezembro de 1996. art.61, p. 34, cap. VI.
LIBÂNEO, José Carlos. A didática e as tendências pedagógicas. In CONHOLATO, M. Conceição et al. (orgs). A didática e a escola de 1° grau. São Paulo: Fundação para o desenvolvimento da educação, 1991.
SAVIANE, Dermeval. Escola e democracia. 36ª ed. Campinas: Autores Associados, 2003.
VASCONCELLOS, Celso. O sentido do planejamento do trabalho escolar. ABCEducátio. São Paulo, v. 65, p. 40 – 42, abril. 2007.


2 comentários:

Professor Adriano Martins disse...

Ótimo artigo.
Parabéns.

CEREST ARAGUAIA disse...

As tuas palavras são motivacionais..


Parabéns!!!