quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Repensando a avaliação escolar


Avaliação é um tema que perpassa todo o processo educacional e constitui-se ainda em uma grande interrogação para os profissionais da educação. Para desmistificar este nó que é a avaliação faz-se necessário enfatizar que o processo avaliativo deve ocorrer paralelo ao desenvolvimento das aprendizagens dos educandos. Neste sentido, os registros sobre o desempenho bimestral são apenas momentos em que o professor evidencia o caminho percorrido pelo educando dentro de determinado espaço de tempo. Mas este registro e o que foi observado não é o que deve ser nomeado por avaliação.
Assim sendo, para que o processo seja definido como avaliativo é preciso que passe por três momentos distintos: observação, análise e compreensão das estratégias de aprendizagem e tomada de decisão favorável ao desenvolvimento do educando. Assim como destaca Hofmann (p.14, 2005)
“Não se pode dizer que se avaliou porque observou algo do aluno. Ou denominar por avaliação apenas a correção de sua tarefa ou teste e o registro das notas, porque, nesse caso, não houve a mediação, ou seja, a intervenção pedagógica, decorrente da interpretação das tarefas, uma ação pedagógica desafiadora e favorecedora à superação intelectual dos alunos.”
Convém também ressaltar que é imprescindível a mudança de concepções dos profissionais da educação a respeito da avaliação da aprendizagem. Pois o que ocorre com freqüência é que professores mudam o jeito de fazer algumas coisas, mas não as suas concepções, Assim, todos os anos nas instituições surgem novas normas de como avaliar e como registrar o que foi observado, porém o que não se vê é o investimento para que ocorram transformações nos princípios e valores que subsidiam o processo.
Seguindo esta linha de pensamento, faz-se alusão às vezes em que somente ao final do ano letivo o professor percebe que seus alunos apresentam determinados problemas no aprendizado da leitura e da escrita, por exemplo. Então, para prevenir situações semelhantes é importante acompanhar, sistematicamente, e de modo individualizado, o progresso dos alunos durante todo o ano. Para isso, torna-se imprescindível a realização de avaliação inicial ou diagnóstica, com este procedimento o educador pode saber quais conhecimentos prévios de seus alunos. A partir dessas informações o planejamento poderá ser mais objetivo atendendo, de fato, as reais necessidades dos alunos, além de ser uma excelente oportunidade para que posturas pedagógicas sejam repensadas. Outro procedimento é a avaliação formativa que mostra, concretamente, sobre o desenvolvimento do processo e ainda permite a intervenção no mesmo para que seja feito os ajustes necessários.
A avaliação somativa, com a qual estabelece-se um balanço do que foi aprendido por todos os alunos, não exclui as outras propostas, pois ambas devem ser complementares. Porém, mesmo com muitas informações sobre o sistema de avaliação, as instituições de ensino permanecem com posicionamentos seculares, demonstrando práticas avaliativas que não traduzem os avanços das pesquisas e da legislação vigente.
Para Perrenoud (1999, p. 156) “o sistema tradicional de avaliação oferece uma direção, um parapeito, um fio condutor; estrutura o tempo escolar, mede o ano, dá pontos de referência, permite saber se há um avanço na tarefa, portanto, se há cumprimento do seu papel.”
Enquanto que, para Gimeno (1995), a avaliação ocorre a partir de concepções dos professores, seguindo valores, expectativas individuais e subjetivas e também a partir das determinações do contexto institucional, sendo que muitas vezes o próprio professor não tem muita clareza dos dados considerados na avaliação dos alunos.
As avaliações realizadas nas escolas decorrem, assim, de noções diversas, não tendo, por vezes, clareza de suas concepções. O sistema educacional, ainda hoje, pauta-se na avaliação somativa, classificatória, visando a verificação das competências por meio de medidas, de notas. Mas, é preciso considerar que a avaliação somativa evidência competências isoladas, além de prever que os alunos aprendam do mesmo modo e ao mesmo tempo.
A avaliação escolar se trata de um processo e este está inserido no processo ensino-aprendizagem que é mais abrangente e precisa ser refletido permanentemente. Com esta afirmativa, fica latente um questionamento: Ainda que a avaliação seja um processo, está inserida em um outro maior que é o processo ensino-aprendizagem que não é linear porque deve ter reajustes permanentes. Por qual razão as concepções e as práticas avaliativas não correspondem a estes reajustes?
Foi refletindo sobre a problemática da Avaliação Escolar que a Rede Municipal de Ensino de Colinas do Tocantins conseguiu avanços significativos, sob a luz dos Referenciais Curriculares da Educação Infantil, do Programa PRALER (Programa de apoio à leitura e a escrita), do Programa GESTAR (Gestão da aprendizagem), do Programa Se Liga e Acelera (Programas de correção idade/série), além da influência de pesquisadores influentes na educação brasileira, como: Emília Ferreiro, Ana Teberosky, Paulo Freire, entre outros.
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Colinas do Tocantins aplica desde 2005 instrumentos para realizar a avaliação diagnóstica em leitura e escrita, no início e no final do ano letivo, abrangendo a Educação Infantil, o Ensino Fundamental I e Educação de Jovens e Adultos, objetivando acompanhar o processo de desenvolvimento dos alunos, além de utilizar-se da análise desses instrumentos para a realização da Formação Continuada dos Profissionais da Educação, bem como, motivar a tomada de decisões pedagógicas para a melhoria dos resultados na aprendizagem dos alunos. Pois, tornou-se perceptível para a maioria dos professores que a avaliação da aprendizagem existe para possibilitar o melhor desenvolvimento dos educandos e não para excluí-los. Outro fato, é que atualmente todos os professores da Rede realizam a avaliação diagnóstica/inicial com seus alunos, utilizando o teste da psicogênese, registro sobre como os alunos estão lendo, além de outros instrumentos.
Neste sentido propõe-se que a finalidade da avaliação seja: conhecer melhor o aluno, constatar o que está sendo aprendido, adequar o processo de ensino e julgar globalmente um processo de ensino-aprendizagem.
Diante das considerações aqui expostas, é pertinente trazer à tona que, segundo Hoffmann (2000), avaliar é dinamizar oportunidades de ação-reflexão, propiciando ao aluno em seu processo de aprendizagem, reflexões sobre o mundo, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, participativos na construção e re-construção das “verdades” que lhes são apresentadas.


Referências Bibliográficas:


HOFFMANN, Jussara. Avaliação mito & desafio: uma perspectiva construtivista. 29ª ed. Porto Alegre: Mediação, 2000.
___________________. O jogo do contrário em avaliação. Porto Alegre: Mediação, 2005.
GIMENO SACRISTÀN, J. El curriculum: uma reflexión sobre la prática. 5ª ed. Madri: Marata, 1995.
PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre: ArtMed, 1999.

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